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| Foto por Victor Filippov |
Um introvertido e um extrovertido conversam. O extrovertido diz:
— Você tem características que não são valorizadas socialmente. Características que são importantes, mas não tem valor. Você fica quieto no seu canto observando tudo, cumprindo suas obrigações, e no fim, quem consegue as melhores oportunidades é aquele que mais fala, que tem mais carisma...
O introvertido completa:
— ...O que tem o melhor discurso, que vende melhor o peixe.
— Exatamente! Os melhores cargos vão para aqueles que possuem o melhor discurso, que se destacam mais, pelo que falam.
— Sim. Pessoas como você, que conversam muito, que criam vínculos, que correm atrás dos outros. Pessoas como você, que são lembradas quando surge uma oportunidade. Pessoas que todos sabem nome e sobrenome. Pessoas que a popularidade conta mais que a competência.
O extrovertido, que não tinha se dado conta que é o extrovertido da história, se sente culpado. O outro, percebendo a culpa, tenta reconfortá-lo:
— Não é culpa sua. É só como as coisas funcionam.
— Eu sei — diz, e promete: — Suas características vão ser valorizadas um dia, você vai ver. Você vai se dar bem.
O introvertido sabe que, caso não se torne como o outro, a batalha será árdua. Percebe também que o amigo está fazendo aquilo que lhe é característico: preenchendo o silêncio com palavras vazias. Perdido em pensamentos, faz também aquilo que faz de melhor: não diz nada, deixando a conversa morrer num silêncio constrangedor. Manteriam um belo equilíbrio se conseguissem emprestar um pouco de si para o outro.
Juro que não estou de recalque de extrovertidos. Mas olha só a imagem que achei enquanto procurava algo pra ilustrar o post. Tá de sacanagem né?
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- terça-feira, agosto 08, 2017
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