Cansaço
quinta-feira, agosto 06, 2026Ontem não escrevi. A ideia aqui não é me cobrar, mas apontar um fato. Quando decidi participar o desafio, sabia que eventualmente isso aconteceria, independente do quão disposta eu estivesse a me dedicar a ele. Foi um dia corrido, com muitas coisas para fazer, caixa e caixas para desmanchar, tive que ir ao apartamento onde morava para buscar algumas coisas que ficaram pra trás. Como eu disse, se mudar dá muito trabalho, e eu imaginei que ficaria dias e dias com isso na cabeça, apenas focando em tornar a nova casa habitável.
Mas não é a mudança que me incomoda hoje, é o cansaço. O cansaço já é um companheiro de anos e anos, e não importa o que eu faço ou tente, continuo cansada. Mesmo quando eu diminuo minha carga horária, mesmo quando eu tiro "um tempo" para descansar, mesmo quando estou de férias, mesmo quando tiro um cochilo na parte da tarde porque meu corpo já não aguenta mais, continuo cansada.
E eu, mesmo me considerando uma pessoa relativamente bem informada, crítica, e sabendo do sistema em que vivemos, me responsabilizo. Procuro resolver a questão comigo mesma, internamente, em vez de olhar pra fora. Será que minha alimentação está ruim? Talvez falte vitaminas? Ou ando muito sedentária e por isso o cansaço frequente? Eu durmo mal? Deveria ir no médico? Ainda assim, quando tinha a melhor alimentação de todas, me forçando a comer verduras, legumes e o que quer que fosse, fazendo exercícios diariamente, ainda me sentia cansada. Porque, embora eu saiba que possa sempre melhorar uma coisa ou outra, o problema não é comigo. Não é com meu corpo.
Escrevi sobre o livro de Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço, aqui em 2019, e olhando para trás sinto que não valorizei a leitura quando fiz na época. Eu compreendi o que eu li, mas sinto que não aproveitei a leitura o suficiente. Ou talvez seja apenas a minha memória que esteja me traindo, porque, diante de tantas informações e tantas responsabilidades e tanta coisa que a gente precisa viver em um único dia, eu não consigo me lembrar de quase nada. Não só do livro, mas de nada mesmo. Das coisas mais banais até as mais importantes, eu esqueço tudo que acontece comigo, como se eu estivesse tão sobrecarregada que não consigo reter mais nada (e bom, eu estou).
Venho falando da frustração de viver nesse mundo nos últimos dias, dessa frustração de saber que poderíamos ter uma vida muito melhor, em um mundo cheio de potencial, mas não temos. Mas acho que frustração não é suficiente. Existe raiva e revolta. Dois sentimentos que, diante do cansaço, quase não chegam mais a superfície. Porque viver, nos dias atuais, não é só imensamente difícil, mas também muito cansativo, um cansaço que come tudo, até mesmo a revolta. Enfim, estou muito cansada para continuar a escrever.


0 comments
Leio tudo com carinho e respondo sempre que posso.
Para dúvidas ou sugestões use a página de contato;
No mais, agradeço o comentário e a visita. Volte sempre! ♥