Eu achei que escreveria essa coluna com mais frequência, mas também achei que a "quarentena" duraria duas semanas, então penso que, ao menos em relação ao tempo, estamos quites. Já faz um ano e dois meses que estamos em isolamento — ao menos alguns de nós — e eu sinto que já são mais de dois anos. Sigo firme dentro de casa, com a sensação que somente eu e minha família estamos fazendo isso. Ainda consigo contar nos dedos a quantidade de vezes que saí, mas descobri, ao longo do tempo, que prefiro mesmo é evitar sair de casa. O mundo lá fora parece irreal e estranho, iluminado demais, quente demais e colorido demais, em contraste com minha casa, escura e fria, como sempre foi. Às vezes me pergunto como vai ser depois disso tudo, se é que vai haver um "depois". Eu, que sempre tive dificuldade de conversar com as pessoas, mas acabei me acostumando com o tempo, perdi um pouco esse costume. Conversar por telas não é a mesma coisa, e eu já imagino que vou precisar passar por um processo de readaptação. Pensamentos a longo prazo, na verdade, eu nem mesmo sei se vai existir alguma "normalidade" pra voltar.
- segunda-feira, maio 03, 2021
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