Ando lendo sobre autocuidado por aí, e percebo o quanto essa palavra hoje está na moda. Acredito ser uma coisa positiva, considerando que a gente vive em um mundo repleto de estímulos e informações para todos os lados, além de cobranças exageradas sobre qualquer coisa e uma pressão para manter um estilo de vida que quase ninguém consegue. Chega a ser engraçado: somos a geração com a maior tecnologia desenvolvida, tecnologia que, em teoria, deveria tornar nossa vida mais fácil, e ainda assim vivemos reclamando da falta de tempo. Insônia, depressão, ansiedade... quem nunca ouviu que doenças mentais são o mal do século? Não acho que seja por acaso que o termo "autocuidado" esteja se popularizando: a gente quer uma resposta para tanta angústia.
Preciso ser honesta: tenho ressalvas quanto ao "autocuidado" que vejo por aí. Não é novidade que, se algo se torna popular, também aparecem aqueles que tentam lucrar em cima disso. Aconteceu com o mindfullnes (técnica de meditação) e acontece também com o autocuidado: produtos para cuidado da pele, aulas de ioga, de meditação, chás e ervas, livros de colorir, hidrante pro cabelo, cristais de energia, enfim... como se autocuidado se resumisse somente a estética. Claro que pode passar pela estética, e tudo isso é importante, mas as coisas vão um pouco além. Autocuidado envolve muito mais do que uma rotina de skincare. E não é algo que você possa simplesmente tirar um tempo para "fazer" um autocuidado. Autocuidado, ao menos na forma como vejo, é uma forma de se relacionar com si. Sei que a frase ficou estranha, mas é isso aí: manter uma boa relação consigo mesmo. Passa pela compreensão, paciência, pelo carinho e cuidado com si mesmo. E eu sei que não é fácil, não nos ensinam a fazer isso. Aprendemos a criar insatisfações com cada aspecto de nós e a entrar em guerra para mudar isso. Manter uma boa relação com si próprio não é só saudável, é libertador.
- segunda-feira, agosto 05, 2019
- 12 Comentários



