| Me sinto como esses bonecos, jogados, descabelados, moídos numa pilha de gente e de pedaços. Quem diria que Playmobil pode ser poético? |
Fiquei muito tempo pensando se fazia esse post. 2021 não foi um ano fácil, e parte de mim dizia que o timing para falar disso tinha passado. Eu não consegui escrever em dezembro, por diversos motivos, e escrever em janeiro — com toda aquela empolgação do "ano novo vida nova" — parecia sem sentido. Mas percebi que a vontade de escrever sobre isso permanecia, e quanto mais os dias passavam, mais sem sentido ficaria escrever sobre. Então resolvi escrever de uma vez.
Aqui no blog eu tinha uma tradição de fazer uma retrospectiva do ano que se passou. Não fui fiel à tradição e fiz todos os anos, mas fiz na maioria. Em 2021, como deu pra perceber, eu não fiz. Não deu. Como eu disse, não foi um ano fácil. Começamos com a pandemia no seu auge, tivemos acesso às vacinas e a maioria de nós já tomou pelo menos uma dose. Tivemos altos e baixos o ano todo e muitas perdas. Nesse finalzinho, a esperança de que as coisas estavam melhorando, que logo tudo acabaria, para então surgir uma nova variante, uma gripe, e mais um monte de coisas que nos tirou também essa certeza. Um ano extremamente cansativo, que, embora nos traga a sensação de ter passado rápido (eu sinto que pisquei em 2019 e cá estamos nós, três anos depois), ao mesmo tempo demorou demais a passar. Todos os dias pareciam imensos, e aconteceu tanta coisa, que eu tenho dificuldade de lembrar. Todas as retrospectivas que li, ao falarem do início de 2021, pareciam falar de algo que aconteceu há mais de dez anos. Como diz o meme, viver eventos históricos é muito cansativo.
- sexta-feira, janeiro 14, 2022
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